Hoje eu acordei nostálgica

Nostalgia2Hoje marca uma daquelas nada raras ocasiões em que eu acordo nostálgica, com um desejo enorme de jogar fotos antigas sobre a cama, reorganizar meus álbuns, quem sabe até mesmo começar um scrapbook que eu nunca vou terminar. Me pego em pleno horário comercial passando álbuns e álbuns e álbuns de fotos escaneadas no facebook, lembrando de pessoas que eu não sei mais o nome mas que, anos atrás, recitava de cor o número do telefone. A nostalgia faz isso conosco ou, pelo menos, comigo.

Acho que estou sofrendo um efeito retardado causado pela seleção de textos para minha primeira exposição no sábado passado. Reler textos antigos é como revisitar velhos amigos: Éramos unha e carne naquele momento mas não dá para ter certeza de como será nossa reação mediante o reencontro: Será que continuamos caminhando juntos na mesma direção?

Mas talvez seja muito maior do que isso…

Talvez seja a venda da casa da minha tia que está me deixando com essa doce tristeza no peito. Sinto como se estivesse perdendo uma parte da minha história que inclui todos os meus natais, a maioria das minhas páscoas, aniversários de pessoas tão queridas. Parte da minha infância está escrita naqueles tijolos, naquela hera que cobre a fachada em um estilo romântico antigo que sempre me fez pensar na varanda de Romeu e Julieta. Fico triste em saber que agora outra família vai escrever a sua história sobre a nossa. Sei que faz parte do ciclo natural da vida, mas isso não muda a pequena tristeza de saber que já escrevi meu último capítulo entre aquelas paredes sólidas que ainda têm cheiro de infância para mim e aquele jardim que explorei tão fervorosamente quando era pequena o bastante para me sentir em uma floresta entre os canteiros de azaleias rosadas.

A nostalgia está presente, mas não há tristeza implícita, apenas aquela doce angústia de saber que algo que amamos chega ao fim. Isso não precisa realmente significar nada, mas passando na frente daquela casa ainda escuto risos fantasmas de tantas alegrias que compartilhamos lá com pessoas tão amadas que já não estão mais ao alcance das mãos. Aquela sala de jantar foi o último lugar em que vi minha avó viva, sorrindo para mim em seu aniversário de 82 anos, em uma festa surpresa cuidadosamente organizada pelos seus filhos. Fomos felizes ali e continuaremos sendo em qualquer lugar, mas o gosto de finalização ainda amarga minha boca.

Acho que nostalgia é apenas uma forma chorosa de amor, uma saudade doída que consome lentamente sem nos destruir de dentro para fora. Vou continuar passando meu álbum de fotos virtual para sentir essa saudade gostosa apertar no peito. Talvez pegue o telefone, faça alguns telefonemas inesperados e fale para minha tia o que eu sinto em relação à esta casa que não é mais dela… Talvez eu apenas sorria sozinha com pequenos flashes de lembranças já há muito tempo guardadas no meu arquivo mental sem etiquetas para registrar nomes e datas… Afinal de contas, a vida não é feita de grandes marcos, mas dos pequenos momentos espontâneos de alegria.

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